Por ROBERTO VIEIRA
Não sei se o senhor concorda comigo, mas o perdão é sempre belo. Sempre bem vindo. Menos no futebol.
No dia em que os jogadores começarem a pedir perdão, acabou o futebol.
Imagine o senhor, um clássico. Um Fla-Flu. Um Grenal.
Ou mesmo um desses jogos que não valem nada. Sete de Setembro x Primeiro de Maio. Solteiros x Casados.
Imagine o senhor.
Um zagueiro entra de sola na canela do atacante e logo se desculpa pelo estrago. De quebra, ainda tasca um beijo no adversário.
Ou um centroavante moleque que mete a mão na bola aos 45' do segundo tempo. Gol. Imediatamente vai nas redes, pega a bola e entrega pro juiz:
Foi mão!
A torcida ia arrancar os cabelos e a cabeça do infeliz.
Alguém sonha com Pelé enviando uma carta de desculpas aos inúmeros zagueiros que enfrentou, pelos milhares de pênaltis que ele cavou na vida? Ou quem sabe, Figueroa de joelhos pedindo perdão ao nariz de Palhinha pelas cotoveladas desferidas no Beira-Rio?
Nada mais patético.
Falo isso, pois Diego Maradona decidiu pedir perdão aos ingleses pela mão de Deus na Copa de 86. Logo aos ingleses.
Alguém já viu algum inglês pedindo desculpa pelas arbitragens da Copa de 66?
Eu não.
Maradona se arrependeu. Bom pra ele. Péssimo para o futebol.
Porque o futebol meu senhor, é o único lugar no mundo onde o perdão não tem perdão.
Friday, February 1, 2008
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